Drogas, artes e esportes.

Em 17/10/09, assisti pelo canal NBR à primeira videoaula do projeto Fé na Prevenção, “promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) em parceria com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI) e executado pela Unidade de Dependência de Drogas (UDED) e pelo Laboratório de Ensino a Distância do Departamento de Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)” (www.fenaprevencao.senad.gov.br).

Tendo uma das apresentadoras dito que o projeto está aberto a críticas, opiniões e sugestões; sem ser um especialista no assunto quero dar minha contribuição, também sujeita à crítica.

A primeira video-aula não foi suficiente para minha conclusão de que o curso seja voltado para jovens da classe média. Esta tendência afastaria os multiplicadores que deveriam estar sendo preparados para atender a maioria dos usuários de droga, principalmente do crack, que são das camadas mais excluídas da sociedade, e não de mauricinhos desiludidos por qualquer barreira que um psicólogo pode resolver mediante pagamento das sessões de terapia ou qualquer igreja evangélica pode resolver mediante alienação pela fé e o dízimo pago ao pastor.

Em primeiro lugar quero ressaltar o mau direcionamento dos atores no quadro fictício da primeira videoaula, com representação e diálogos ruins; e o mau direcionamento do figurino conservador e da linguagem didática dos apresentadores em geral, que estão muito distantes da realidade da maioria dos usuários de drogas.

Mais grave do que isto, é o sofisma da composição. Eu penso que o país teria melhores resultados com o investimento nas artes e nos esportes do que com o investimento no combate diretamente às drogas por meio de repressão ou de um curso criado por pessoas distantes da realidade dos usuários de drogas. Este curso provavelmente será ineficaz porque não alcançará a emoção nem a consciência das pessoas que não têm oportunidades e nem perspectivas de vida digna, e que por isto se enterram nas drogas de forma autodestruidora.

Entendo que, no Brasil, poucos são os jovens que têm orientação e dinheiro (oportunidades) para canalizar suas energias, suas emoções e sua criatividade para a realização de seus sonhos. Para mim o risco está neste reduzido grupo, que quer mas não pode fazer, que tem sonhos, sensibilidade, e obviamente a energia própria da juventude sendo gasta na forma de rebeldia ao invés de estar produzindo arte para o consumo de toda a sociedade de forma saudável, ao contrário da mídia materialista e depredadora que tomou conta da população.

Entendo que, neste grupo, a produção cultural é que poderia substituir as drogas usadas justamente pelas pessoas que não têm oportunidades para canalizar suas rebeldias e protestos contra a realidade excludente das camadas mais pobres da população.

Quero lembrar que existem outros grupos sociais, onde a droga não entra apesar de também não haver produção cultural. Posso ressaltar os grupos de classes privilegiadas, adaptados aos recursos dos quais dispõem para viverem felizes; os grupos conformados com suas realidades, e os grupos adaptados à hipocrisia de igrejas e da sociedade em geral.

Conheçi vários usuários de drogas que são pessoas sensíveis, inteligentes, criativas, extremamente capazes, e que jamais serão convencidas por dogmas e argumentos preconceituosos. Antes de tudo, quem trabalha no combate às drogas tem que admitir que nem todos os usuários de drogas são nocivos à sociedade ou a si próprios. A prova disto é que em países do primeiro mundo, o uso de drogas como a maconha e o haxixe é legalizado. Neste sentido, certa vez li uma frase atribuída ao cantor e compositor Lobão: “Em excesso, qualquer droga faz mal, até mesmo a feijoada”.

Esta afirmação pode nos levar a conclusão que em certo limite, algumas ervas caracterizadas como drogas podem estimular a criatividade, o controle emocional, a sensibilidade, a felicidade, e conter ou equilibrar os anseios de pessoas que sem as drogas talvez fossem infelizes, e consequentemente prejudiciais a si mesmas e à sociedade como um todo. Não admitir isto é tentar tapar o sol com uma peneira; é negar o poder de discernimento de pessoas inteligentes; é tolher o livre arbítrio.

Enfim, eu tenho fé é na arte como instrumento de conscientização para que nosso país continue crescendo e distribuindo renda, já que apesar de estar no caminho certo com o governo Lula, o Brasil continua sendo um dos países com maior desigualdade social do planeta, fruto de secular domínio conservador e elitista.

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Foto do autor, numa cabana da Praia do Tororão, Prado-BA.

Ainda antes de poder dizer: "Ninguém é de ferro!"

Ainda antes de poder dizer: "Ninguém é de ferro!"

Venda de votos lidera a corrupção que distorce eleições

Muito se fala em compra de votos e todos os políticos dizem ser contra, mas algum dos canais de TV que você assiste, alguma vez, pelo menos uma vez, já mostrou sequer uma das dezenas de táticas que os corruptores usam para comprar votos?

Seja por meio de  suas ridículas novelas, ou por meio de seus sofríveis programas de auditório, ou por meio de seus noticiários sensacionalistas, a mídia libertina que temos no Brasil, falada, escrita ou televisada, já lhe prestou este serviço?

Alguma coisa está fora da ordem. Eu, pessoalmente, sou pelo controle social da mídia que é mais anti-ética que os políticos que a controla e que dela tiram vantagens. Sou favorável a idéia de um “selo” para controle social da mídia, com rigorosos critérios democráticos.

Assim, a mída que não alcançar determinada pontuação de um conselho municipal, estadual e nacional da sociedade civil estaria impedido de receber verbas publicitárias de quaisquer fontes públicas municipais, estaduais ou nacionais, ou de empresas que recebam capitais ou recursos governamentais; e ainda seria obrigad a circular com o selo “imprensa marrom” ou coisa parecida, e com a “má nota” obtida dos conselhos.

O presidente Lula pode estar certo quando diz que para a mídia ser democrática tem-se que dar cada vez mais liberdade a ela, mas com todo respeito aos mais nobres princípios democráticos, e justamente por isto, eu digo que a desigualdade entre a carência de estrutura do idealismo e a voracidade do capitalismo, com seu poder econômico e suas ferramenta$ de convencimento, justifica a necessidade do controle social da mídia.

Um imprensa como a que predomina no Brasil… Ninguém merece! E  a parte que não tem culpa não deve temer.

O que você acha?